domingo, 8 de janeiro de 2012

Um brinde aos confusos

Sou confuso. Uma pena que a afirmação de um problema não faz o desaparecer, mas faz perceber que ele está ali, como uma coisa viva, como um animal a espreita, e isso me faz querer vencer isso, ou descobrir como controlar, por em ordem, colocar uma coleira nesse animal selvagem.

Não é fácil. Mas e o que é ? Cada fase da vida tem a sua beleza e a sua dor. Quando somos crianças queremos ser adultos para podermos escolher as nossas próprias roupas ou para poder participar daquelas “conversas de adulto”, quando se é adolescente tudo que mais se quer é fazer dezoito anos, sair de casa e ser independente, quando somos, o que eu chamo de “jovens adultos”, o que mais se quer é ter certeza. Certeza da vida e de cada partezinha que ela pode oferecer, e quando é se adulto afinal tudo o que mais se quer é... não sei, ainda não cheguei nesse estágio.

Certeza ? Temos como ter certeza de algo nessa vida ? Nesse momento minha mente está fazendo minhas idéias entrarem em colisão, uma contra outra em um ritmo frenético que beira o funk de Valesca Popozuda com uma mistura do funk do James Brown e o rap do Common. Estou com 22 anos, prestes a fazer 23 e o menos temos agora é certeza.

Quando penso que sei onde quero chegar, o ponto que quero estar, a voz do pessimismo fala ao meu ouvido: Isso não é real, é tudo ilusão. Sabes que não chegarás tão longe. Logo outra voz grita, essa menos forte porém com um tom mais grave que a outra: Força. Você sabe que nada é fácil. O caminho é o que faz uma jornada.

Confusão. E ele trás junto o medo, a incerteza, o orgulho, dentre outros.

A vida é feita de capítulos e nós somos o leitor, que por alguma razão não podemos dar aquela espiada nas próximas folhas, e assim ficamos a sofrer de ansiedades e neuroses com o que vai ou pode acontecer. Injustiça. Em minha auto-análise (certa ou não) percebo dois pontos:

1) Eu me cobro muito, e desde sempre. Pelo fato de desde que tenho recordações quero sair de casa e ser independente, e quando criança/adolescente, achar que isso aconteceria entre dezoito e vinte anos, estou me sentindo frustrado e perdido. Para adicionar mais drama a essa mistura, eu me fecho. Eu me fecho no meu mundo como faz qualquer bom capricorniano diante de um problema. O que não me ajuda em nada, tenho ciência disso, pois não converso com ninguém o que por sua vez faz com que ninguém possa iluminar as trevas que são as minhas dúvidas.

2) Eu tenho essa ansiedade enorme que mais parece uma cobra rastejante dentro da minha cabeça, que não morde, mas quando se move tira tudo de lugar, me deixando confuso, com medo e logo em seguida frustrado. E outra, menor, mas ao mesmo tempo mais forte, que fica nas minhas pernas, que quando eu tento dar um passo um pouquinho maior ela me prende e eu caio. Caio e às vezes choro. Me sinto fraco e idiota.

Saber aonde se quer chegar mas não saber por que lugar se tem que começar é equivalente a quando se compra aqueles sorvetes de casquinha enormes e assim que o entregador lhe dá você percebe que ele já está derretendo e você não sabe por onde começar a come-lo. É bem assim. Não, é exatamente assim. Qual o passo que eu devo dar ? Qual o próximo movimento do jogo ? A cada dia percebo que a vida é um jogo de tabuleiro e devo admitir que sou péssimo em jogos, qualquer jogo. Estratégias nunca foram o meu forte.

Como todo bom capricorniano sempre prefiro o certo ao duvidoso, e até recentemente isso era bom. O problema é que depois de certa idade é preciso correr riscos, se não tudo fica na mesmisse, no feijão e arroz. É preciso ir além. Eu sei, mas como ir adiante quando não se sabe o chão que irá pisar ? Não há receita, no mais, há dicas de amigos, família e pessoas queridas, mas isso só aumenta a aposta: O que fazer com tanta ajuda ? Qual escolher ?

Devo arriscar e correr o risco de me sentir frustrado e decepcionado caso a minha tentativa falhe ou devo seguir os meus instintos protetores (para comigo mesmo) e levar a vida nesse rio de águas calmas eterno, que nem deságuam no mar nem se tornam esplendidas cachoeiras ?

Um brinde aos confusos. 


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