Independência. Escutamos essa palavra desde que somos crianças na escola ou em casa com os nossos pais. Aprendemos que Dom Pedro em 7 de setembro conquistou a independência do Brasil e que como o nosso país, milhares de outros tiveram o mesmo engajamento, mais cedo ou mais tarde, e que o processo para a liberdade não fora fácil. Mas e a nossa independência enquanto pessoas, cidadãos, seres humanos e indivíduos singulares, precisa ser assim também tão difícil ?
Por mais que para as meninas, acredito eu, os quinze anos seja uma data aguardada e especial, até porque geralmente se tem festas e em alguns casos viagens, não dá para comparar a mitificação sobre os dezoitos anos, tanto para as meninas quanto para os meninos dessa vez, e a poética liberdade. Sem dúvida é a idade mais aguardada. É aquele dia em que no primeiro momento você irá celebrar com a família e depois irá cair na farra com os amigos e beber até esquecer o caminho de volta para casa, porque agora você pode. Você tem dezoito anos, pode fazer o que quiser, você é dono de si. Você é livre e independente.
Você é independente até o momento em que você acordar e a primeira coisa que o seu pai fala é que está na hora de você se alistar no exercito, entrar em uma universidade, se formar e arrumar um trabalho, e logo, porque a casa é dele e lá você não manda em nada. Tudo isso logo, mas mais logo ainda é lavar os pratos. Essa é a primeira desmitificação da independência.
A segunda, pelo que vejo em colegas e amigos, alguns próximos outros não, é o sucesso pós formatura. Quando acabamos o ensino médio e almejamos um curso superior, talvez seja o momento em que criamos mais planos, e geralmente pensamos grande. Queremos ser o melhor médico, o melhor advogado, um jornalista brilhante, um economista renomado, um artista internacionalmente reconhecido ou um genuíno design. Queremos chegar na parada final sem ter a jornada. Entramos na universidade e a vida começa a se mostrar como ela realmente é: uma nazista.
Tudo piora quando nos formamos, raras exceções, não conseguimos trabalhar com aquilo que queremos logo de primeira, leva um tempo. Todos aqueles sonhos de se formar, ganhar o primeiro milhão no primeiro mês e nas férias viajar para a Califórnia surfar vão por água abaixo. Porque, amigo, você se formou, mas se formaram também mais mil pessoas, e não há vagas no mercado de trabalho para todos. E mesmo que você tenha cursado a graduação em uma das melhores universidades do país, sim, você se formou, parabéns, mas a sua turma tem mais 39 ou 49 pessoas. E isso é uma coisa que ninguém nos alerta na escola ou na aula de inglês instrumental.
O terceiro momento é aquele pós seis meses de formatura -aquele que eu me encontro. Aquele que todas as ilusões sobre independência, em todos os setores, se deslocaram para a casa dos 30, e não mais para os 20 ou 21. Onde sonhar, sim, é possível, recomendável e até saudável, mas que seja até as 06:00, pois você deve está no trabalho de auxiliar-de-alguma-coisa às 08:00. Mas talvez seja por isso que a independência seja um estado tão querido, esperado e aguardado.
Primeiramente porque demora-se para atingi-lo. Segundo porque como bem descobriu Dom Pedro, o processo não é fácil, nunca é. Depois, todo e qualquer desligamento pós-independência tem um preço. E a principal, a que eu realmente queria chegar, somos realmente independentes ? Não dependemos de nada e de ninguém ? Será que não aguardamos tanto atingir esse status que só visamos um, o financeiro, e esquecemos dos outros. E quando o banco entra em greve ? Ou quando a empregada entra de férias ou o carro quebra ?
Somos realmente independentes ou somos que nem o Brasil e tudo mais por aqui, onde tudo trata-se apenas de uma questão de títulos, egos e teorias ?


1 comentários:
Ê vidão! rs Já pensei um dia em quase todos os exemplos q vc citou aqui Saulo, é sempre a vida dando uma rasteira na gente, e começo a rir qnd penso nisso. Pensamos que está tudo lindo qnd acabamaos o ensino médio, não, depois qnd entramos na universidade, tb não! Então qnd concluimos nosso curso, não, porra! Mas, o que seria da vida sem esperar por algo ainda melhor na frente? ;]
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